Qual a fórmula da motivação?
É comum observarmos, no ambiente corporativo, fórmulas prontas de como "motivar a sua equipe e aumentar os lucros". É fácil encontrar treinamentos, consultorias e as mais diversas ferramentas que prometem melhores resultados sem muito esforço
Porém, em minha opinião, o processo não se resume a um simples formato padrão que possa ser aplicado para todos os tipos de pessoas e empresas. A questão é: por que regras prontas funcionariam para todos se cada indivíduo pensa, age e se motiva de maneiras diferentes?
Essas análises podem ser observadas desde quando Abraham Maslow, importante psicólogo americano (que nunca desenhou nenhum tipo de pirâmide), formulou a base de sua teoria, na qual ressalta que as motivações são explicadas pelas necessidades psicológicas das pessoas. A explicação é que a produtividade está diretamente ligada aos motivadores de cada um. Identificar a "equação motivadora" de cada funcionário é fundamental para garantir um ambiente coorporativo mais produtivo.
As empresas tem 4 moedas de troca ou fatores que motivam as pessoas, sendo elas:
- Dinheiro – Está relacionado ao salário, comissão, 13°, bônus e outros mecanismos de recompensa monetária;
- Segurança/ conforto – Tem relação com a segurança (estabilidade e regras claras) assim como bem estar físico (instalações e equipamentos adequados), bom ambiente de trabalho e (ou) pouca pressão por resultados;
- Aprendizado – É todo conhecimento que a empresa proporciona por meio de treinamentos formais e do aprendizado informal que se adquire durante o período de trabalho;
- Reconhecimento ou status – É como a empresa proporciona aprovação social ao indivíduo: elogios públicos, promoções e compartilhar o sucesso têm a ver com esta "moeda".
Uma pessoa "equilibrada" teria 25% de proporção para cada motivador, contudo, esta não é a realidade, já que cada indivíduo tem necessidades em diferentes intensidades. Alguns desejam ganhar mais dinheiro, outros preferem conforto, outros status, e alguns tem o aprendizado como fator mais importante. Vamos a um exemplo que pode ocorrer com 4 pessoas que trabalham no mesmo departamento de uma empresa e têm as seguintes "fórmulas" mentais:
A pessoa "A": 50% dinheiro, 30% status, 10% aprendizado e 10% segurança;
A pessoa "B": 30% dinheiro, 10% status, 10% aprendizado e 50% segurança;
A pessoa "C": 10% dinheiro, 10% status, 50% aprendizado e 30% segurança;
A pessoa "D": 30% dinheiro, 50% status, 10% aprendizado e 10% segurança.
É comum que isso aconteça, pois pessoas diferentes demandam diferentes estímulos. A principal interessada em manter os profissionais que se identifiquem com a sua “fórmula” é a organização, afinal uma equipe motivada é muito mais produtiva e lucrativa. Para isso, é fundamental que o dirigente se conheça, faça uma real análise da cultura de sua organização e tenha uma fórmula clara para oferecer a seus funcionários. A proposta tem que ser absolutamente realista, tanto para quem está dentro quanto para quem está querendo entrar.
O importante é que a empresa assuma um posicionamento claro do que ela pode oferecer, e quais são suas moedas de troca. Se você oferece o salário alto como principal motivador, por exemplo, então procure por profissionais que se sentem motivados ganhando bem, e não se importam em ter pouca qualidade de vida. O mais importante nesta estratégia é oferecer o que a empresa realmente dispõe: a fórmula tem a ver com a estrutura, os valores e a cultura da organização. Nas pequenas empresas, o que conta são os valores do dono.
Não existe uma equação ideal para conseguir administrar bem um negócio. Para obter um ambiente de trabalho saudável e produtivo para ambas as partes, comece por identificar a sua “fórmula”, e as explicite quando contratar um novo colaborador. Para analisar os funcionários que já estão dentro, é mais fácil: o histórico profissional mostrará o que mais o motiva. Usando esta análise, será mais fácil identificar a pessoa certa para seu negócio.
Motivar a equipe não está apenas relacionado às técnicas de conduta e relacionamento. Para as empresas que querem aprimorar seu quadro de funcionários e dar uma virada no sucesso de seus negócios, é fundamental avaliar e identificar os valores da empresa, e contratar pessoas com as motivações alinhadas a estes valores.
Eduardo Ferraz é consultor em Gestão de Pessoas e especialista em treinamentos e consultoria In Company, com aplicações práticas de Neurociência. É pós-graduado em Direção de Empresas pelo ISAD PUC-PR e especializado em Coordenação e Dinâmica de Grupos pela SBDG. Autor do livro “Por que a gente é do jeito que a gente é?”

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comentário do artigo: "Qual a fórmula da motivação?
1-no mercado, há imensa confusão conceitual entre sistemas de reforçamento e motivação. E é por isto que muitos gestores experimentam enormes frustrações ao tentar "motivar" seus colaboradores.
2-a motivação não é um fenômeno tão comum e frequente como podemos imaginar. A motivação é um comportamento que se mostra claramente diferente de ações triviais e corriqueiras. É pautada por uma ação específica, que se mostra persistente e é sempre dirigida a um determinado objetivo. É sempre autogovernada,mas, mesmo assim, sofre uma influência relativa do meio ambiente.
3-motivação não é sinônimo de satisfação, alegria, entusiasmo, etc.
4-o procedimento de preselecionar os chamados "motivos motivacionais" é um grande equívoco. Nem todos motivam-se por competência; nem todos motivam-se por reconhecimento; nem todos motivam-se por senso de pertencimento, segurança, afiliação, dinheiro, sucesso et. e tal. Não podemos esquecer a imensa variabilidade dos comportamentos, nossa diversidade. Somos orientados, norteados por uma gama de valores e tendemos sempre para alguns conjuntos desses valores. E aqui repito novamente: não há uma relação direta entre valores/motivos e a motivação.Esta comfusão responde às frustrações que muitos líderes têm ao tentar "motivar" seus seguidores.
5-como é possível a utilização do termo "motivação extrínseca" para o que não se considera como ato motivado?
6-a motivação não pode ser concebida de forma generalizada. Ela é focada, departamentalizada.
Obrigada,
Angela Paes!