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Ouvidoria como última instância

Publicado em 19/09/2008 por Érika Ramos

Painel debate importância do canal de última instância dentro das instituições

"As ouvidorias como promotoras de melhorias contínuas no relacionamento com os consumidores" foi tema do painel do Seminário Febraban de Markteting e Relacionamento com Clientes (Semarc). Mediado por Nadja Sampaio, jornalista de O Globo, o painel reuniu ouvidores, representantes do Banco Central e instituto de pesquisa dos direitos do consumidor.

Walter Moura, do Instituto Brasileiro de Política e Direito do Consumidor (Brasilcon), explica que cabe à ouvidoria concentrar as reclamações dos diversos canais de comunicação. “Não há como negar que o ouvidor tem como papel ouvir os diversos canais e levá-los para o ambiente corporativo. A coletivização das soluções é essencial para que os processos sejam revistos. Por isso, o canal é tido como promotor de melhorias contínuas. O ouvidor por sua vez, tem que ser um agente pró-ativo, dele devem partir soluções espontâneas para as demandas do consumidor”, avalia.

De acordo com Moura, a vulnerabilidade do consumidor exige que ele seja tratado com mais sensibilidade pela ouvidoria e nos diversos canais de comunicação. “As organizações devem ter uma porta de hospitalidade pós-venda tão aberta quanto a que recebe o consumidor na hora da compra”, expõe.

Para Sérgio Odilon dos Anjos, chefe adjunto do departamento de Normas do Banco Central do Brasil, a ouvidoria deve ser um canal de última instância, com profissionais especializados.  “Para tal o ouvidor precisa ter um mínimo de especialidade, conhecimento do Código de Defesa do Consumidor e ser certificado”, aponta. Além disso, alerta para a importância do envolvimento da alta administração para que a ouvidoria exerça sua função com efetividade e do valor dos relatórios produzidos pelo canal para auditoria interna.

Cláudio Lysias, chefe adjunto do Departamento de Supervisão de Bancos e Conglomerados Bancários do Banco Central do Brasil, mostrou um estudo com dados das ouvidorias no final de 2007, três meses após a implantação obrigatória. Em 39% das instituições pesquisadas as ouvidorias recebem reclamações de primeira instância. Em oito das instituições que compõem o estudo, 90% das demandas são resolvidas em um prazo inferior a 30 dias e 20% das demandas atendidas referem-se a problemas decorrentes ao atendimento. Lysias comentou sobre a percepção do papel da ouvidoria dentro do processo de governança e da importância do conteúdo dos relatórios produzidos pelo canal. “O relatório do ouvidor, assim como do diretor responsável pela ouvidoria, é extremamente relevante para o Banco Central”, avalia Lysias.

“Muitas vezes somos questionados se a ouvidoria foi criada somente para atender a determinação do Banco Central ou foi de fato criada para ter uma estrutura que representasse nossos consumidores dentro de ‘casa’, identificando melhorias, atuando como última instância, sem que o consumidor precise recorrer ao Bacen, Procon ou Judiciário para resolver seu problema. Tenho visto a seriedade de diversas ouvidorias com investimento em tecnologia e até mudança de hierarquia”, comenta Cristiana Pinciroli, ouvidora do Unibanco.

Segundo Cristiana, no Unibanco, a atuação preventiva da ouvidoria tem permitido, entre outros fatores, tangibilizar o custo do retrabalho e avaliação de riscos. Algumas das conquistas obtidas com a ouvidoria são: aumento da mobilização da organização para a satisfação dos clientes, cuidado com a comunicação e a apresentação no lançamento de novos produtos. “Os desafios são mensurar o custo da não qualidade e trazer mais subsídios para treinamento”, diz.

O ouvidor da Caixa Econômica Federal, Paulo Roberto dos Santos, explica que a ouvidoria da instituição foi implantada já há alguns anos, mas defende a determinação do Banco Central que instituiu em 2007 a obrigatoriedade do canal. “Sem a norma dificilmente teríamos velocidade e a sensibilização da alta diretoria para com a ouvidoria”, afirma.

“As proposições de uma ouvidoria passam por uma análise e não ocorrem de imediato. O papel das auditorias é complementar e fundamental para que as proposições sejam bem conduzidas dentro das organizações”, conclui o ouvidor. 

Acompanhe a cobertura completa da Semarc 2008 no site da Consumidor Moderno

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