Coração-de-Obra
O termo mão-de-obra para qualificar a classe trabalhadora surgiu no início da Revolução Industrial, sendo amplamente utilizado até os dias de hoje. Poucos, entretanto, se dão conta do que ele exatamente significa, explica Vladmir Stancati, supervisor de desenvolvimento de pessoas para a América Latina da Atlas Schindler
A expressão carrega um significado literal. Na época em que foi concebida, esperava-se dos trabalhadores que eles contribuíssem para com o crescimento da empresa, através da utilização exclusiva de suas mãos. Em outras palavras, o profissional era contratado, em sua gigantesca maioria, para o exercício de atividades puramente mecanizadas, as quais não exigiam a utilização mais intensa do intelecto e tampouco a utilização da intuição ou da emoção.
Nos nossos dias parece um enorme contra-senso pensar da mesma maneira. A empresa moderna, independentemente de seu tamanho ou área de atuação, necessita urgentemente contar com profissionais “integrais”. Precisamos, mais que nunca, do espírito-de-obra, da emoção-de-obra, da cabeça-de-obra, do coração-de-obra. Se não tivermos o profissional engajado como um todo nas atividades da companhia estaremos fadados a perder competitividade, de maneira crescente.
Como, entretanto, utilizar os conhecimentos, intuições e emoções de todos os profissionais que trabalham em uma organização? É preciso, antes de qualquer coisa, crer neste potencial. A Teoria da Expectativa, ou Teoria de Pigmalião, nos mostra exatamente isto. De acordo com ela, os colaboradores tenderão a comportar-se da maneira que seus gestores esperam que eles se comportem. Se o gestor imaginar que um colaborador “dará certo”, ele estará certo, e se imaginar que o colaborador “dará errado”, ele também estará certo.
Pigmalião, na mitologia, era um escultor que sonhava em esculpir a mulher perfeita. Insistiu em seu projeto, e, um dia, olhando para sua obra, chegou à conclusão de que tinha atingido seu objetivo. Apaixonou-se pela escultura e, como prêmio por seu esforço e desempenho, Vênus deu vida à obra. O efeito Pigmalião nos mostra que muitas profecias são auto-realizáveis e que, quando um gestor crê no potencial de seu colaborador, este potencial tem uma probabilidade muito maior de desabrochar.
Quando cremos, efetivamente, que por trás da mão-de-obra há um potencial infinito a ser usado a favor da empresa, e liberamos este canal, as possibilidades são imensas. A maior parte das pessoas espera que este canal esteja aberto a fim de que possa contribuir muito mais do que o faz hoje, exercitando sua capacidade de análise, auxiliando na tomada de decisões e corrigindo rumos em direção ao cumprimento do planejamento estratégico.
Por parte dos colaboradores em geral, é preciso acreditar em seu próprio potencial, e tratar de desenvolvê-lo. A carreira do profissional, em tempos passados, mesmo em grande parte das vezes com sub-utilização, se assemelhava a uma escada rolante que subia...anuênios, qüinqüênios etc garantiam elevações de salário sem que houvesse, digamos assim, muitas contrapartidas por parte desses profissionais. Houve um momento em que a escada rolante parou, e as pessoas para subir necessitavam, sim, empenhar-se mais. Agora, a escada rolante volta a funcionar, entretanto, ela desce...se eu desejar manter minhas atividades como as tenho hoje, necessito buscar conhecimentos e transformá-los em “produtos” para a empresa. Se eu desejo crescer, não basta mais subir calmamente, necessitarei aumentar minha velocidade.
Como estamos hoje, cada um de nós? Como gestores, acreditamos no coração-de-obra? Qual o efeito Pigmalião que estou provocando?
Como colaboradores, qual nossa postura com relação à escada rolante?
Vladmir Stancati, gerente de desenvolvimento de pessoas para a América Latina da Atlas Schindler

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