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Call Center bilíngue deve crescer 30% nos próximos quatro anos

Publicado em 17/11/2010 por Redação

Empresas do setor se movimentam para ampliar operações em outros idiomas, mas ainda se deparam com questões educacionais e tributárias a serem solucionadas

De acordo com o Sintelmark (Sindicato Paulista das Empresas de Telemarketing, Marketing Direto e Conexos), nos próximos quatro anos, a expectativa de contratações de colaboradores com um segundo idioma está estimada em 30%. Com a proximidade de eventos mundiais, como a realização da Copa do Mundo e das Olimpíadas no país, o setor indica uma oportunidade aos jovens de ingressarem nesse mercado, além de prever um impulso das atividades offshore dentro das operações de Call Center.

Para Stan Braz, diretor-presidente executivo do Sintelmark, não se pode negar a deficiência educacional que o país tem em relação à formação desse perfil de profissional. “O Brasil é hoje uma das maiores bases de Call Center do mundo, ficando atrás apenas da Índia. São necessárias ações governamentais para estimular o aprendizado competente de uma segunda língua no país. Contudo, pessoas que possuem essa habilidade podem encontrar no setor chances de trabalho, já que muitas empresas da área estão dispostas a investir neste tipo de operação bilíngue”, comenta o executivo.

Na TeleTech os profissionais bilíngües atuam nas operações de Call Center e também na área administrativa. Seu processo de seleção é bastante rigoroso, além disso, a empresa possui parcerias com escolas de idiomas na busca por potenciais profissionais. “O Brasil é um dos países mais populosos do mundo e, em função do fenômeno da imigração relativamente recente e da adoção de uma segunda língua em diversas escolas, temos habilidade para prestação de serviços em diversos idiomas como: inglês, espanhol, francês, alemão, italiano, coreano, japonês e até mesmo mandarim. Entretanto, se não houver desoneração dos encargos trabalhistas para a ‘exportação’ de serviços e com a atual apreciação do real frente ao dólar, dificilmente seremos competitivos em custo”, sinaliza Alexandre Martins, Country Manager da TeleTech.

Para Lucas Mancini, presidente da Voxline, os grandes clientes são empresas americanas. Mas para que este braço do setor avance, o executivo pontua que “a educação das escolas públicas brasileiras é de baixa qualidade e o ensino de outro idioma é precário para tornar um aluno proficiente em outra língua. O governo precisa desenvolver programas agressivos de ensino, bem como a revisão da CLT, criação de impostos sobre serviços exportados muito mais baixos, e redução sobre impostos das teles quando exportam o uso das suas ferramentas. Já a iniciativa privada deve criar programas de capacitação dos trabalhadores para o mercado offshore, campanhas de venda do Brasil como opção para exportação de serviços, métricas de qualidade reconhecidas mundialmente sistematizadas e documentadas”, declara o executivo.

Para Cida Carvalho, diretora de recursos humanos da TMKT, existem dificuldades no momento de contratar profissionais com este perfil, uma vez que se faz necessária a proficiência na língua. Contudo, a empresa conta atualmente com operações em três idiomas: inglês, espanhol e japonês. “Além da fluência, avaliamos também a postura e desenvoltura da pessoa”, ressalta Cida.


A Sitel também enfrenta dificuldades na contratação desses profissionais. No entanto, aqueles que possuem um segundo idioma fluente (inglês ou espanhol) destacam-se em recrutamentos e oportunidades internas, conforme define Fabiano Cinti, gerente de Recursos Humanos da Sitel: “Pelo fato de serem bilíngües as oportunidades para transferências a outros clientes são maiores e com isso suas habilidades em atuação e desenvolvimento também serão mais exigidas e desenvolvidas. Habitualmente são remanejados para vagas de liderança e gerencial, pois o idioma é um dos pré-requisitos para a promoção ou crescimento profissional”.

Considerado um dos segmentos que mais empregam no país, apenas no estado paulista o setor irá gerar 400 mil novas vagas em 2010, sendo que o país já conta com 514 mil funcionários no segmento.

 

 

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