“Não basta ser Consumidor, tem que participar”
“Não basta ser Consumidor, tem que participar”. Existem pessoas com ideias criativas que, através da Internet, abordam de forma peculiar alguns serviços prestados ao consumidor
“Senhor, estarei te irritando...”.
Para Raphael Crespo, 32, jornalista, morador do Rio de Janeiro, o seu blog “Senhor, estarei te irritando...” é uma maneira bem humorada de abordar os problemas do serviço de telemarketing no País. Criado em 2008 o blog vêm cutucando as empresas no Brasil e alertado o serviço para as novas tendências.
Ciente da pressão que sofrem os operadores, Raphael não os culpa pela chateação e deixa claro que não tem nada contra esse pessoal. O que lhe irrita, são as práticas adotas pelo serviço: “Não culpo a atendente do telemarketing, pois sei que ele tem um script a seguir e apenas cumpri sua obrigação”, diz.
Abaixo, segue uma pequena entrevista com o autor.
Como nasceu a ideia do blog? Porque o interesse sobre esse tema?
Na verdade, não é que eu tenha um interesse pelo tema telemarketing. O blog surgiu em junho de 2008, durante um almoço de domingo com a família, quando, numa troca de histórias sobre problemas com telemarketing, o nome "Senhor, estarei te irritando..." me veio à cabeça. Na mesma semana criei o blog e comecei a divulgar. No domingo seguinte, tinha uma matéria minha na seção de Defesa do Consumidor do jornal O Globo, na semana seguinte participei do programa Sem Censura, da TV Educativa do Rio e o blog foi crescendo.
Você conhece alguém que trabalhe com telemarketing? O que essa pessoa acha do seu blog?
Conheço, sim. Todos acham divertido e interessante. Mas, na verdade, o mais interessante é o feedback que eu tenho por parte de operadores de telemarketing desconhecidos, que, desde o início do blog, sempre entenderam a crítica que faço.
Nesses quase dois anos de blog no ar, só uma vez um operador veio me encher o saco, na seção de comentários de um determinado post, mas foi devidamente enquadrado por mim e por outras pessoas - inclusive um colega de trabalho dele (rsrs).
Na sua opinião o que existe de pior e de melhor nesse serviço?
Olha, uma coisa que eu digo sempre no blog é algo que, apesar de ser uma opinião minha, me parece um fato: o serviço é ruim porque as condições de trabalho e o treinamento dos profissionais são ruins.
A qualidade do atendimento é um puro reflexo do material humano. E não estou querendo desmerecer, de forma alguma, os operadores. Muito pelo contrário. Acho que são pessoas batalhadoras, muitas vezes jovens recém-chegados ao mercado de trabalho, mas que não estão preparados para segurar o rojão dessa tensa relação entre empresa e consumidor, na qual, sem dúvida nenhuma, o operador é o elo mais fraco.
O que há de melhor nesse serviço? Ainda estou tentando descobrir!
Você conseguiria imaginar uma alternativa menos invasiva e menos cansativa para o telemarketing ativo? E o telemarketing receptivo, existe alguma saída para o consumidor?
Olha, falando do telemarketing ativo, na minha opinião, deveria ser banido! Sei do reflexo que isso teria, geraria desemprego e etc. Mas, paciência. Infelizmente, moro no Rio de Janeiro, onde não existe a lei do Não Importune.
Se existisse, como em São Paulo, todos os meus telefones já estariam cadastrados.
Sou totalmente contra o telemarketing ativo. Acho um absurdo receber ligações, por exemplo, de concorrentes do banco onde tenho conta ou da minha operadora de celular tentando me oferecer melhores vantagens. Se eu quiser, eu corro atrás.
Acho que uma forma menos invasiva que as empresas podem encontrar são as mídias sociais (Orkut, Twitter, Facebook, etc.). Tentar monitorar oportunidades de se relacionar verdadeiramente com o consumidor, como se fosse de pessoa para pessoa, falando de igual para igual, e não da forma robótica como acontece com o telemarketing ativo.
No caso do telemarketing receptivo, aí não tem jeito, amigo. Somos reféns. É um mal necessário. Temos que ligar para as empresas para tentar resolver nossos problemas. É torcer para que a fiscalização aos maus serviços seja cada vez mais rigorosa e que as empresas invistam no treinamento e nas condições de trabalho dos funcionários. Isso, certamente, se refletiria num melhor serviço prestado aos consumidores.
Visite: estareiteirritando.wordpress.com

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