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Call Center é tema de filme na Índia

Publicado em 14/11/2008 por Valdir Antonelli

Cultura do Call Center é tão forte no país que trabalhar em central de atendimento é pop

Matéria no Washington Post fala sobre a cultura do Call Center, que vem sendo cada vez mais difundida na Índia - onde o número de operadores cresce a cada dia - e que chegou aos cinemas daquele país no ano passado. No filme, os norte-americanos são considerados burros e os indianos espertos, porém totalmente falsos.

Uma das cenas de Hello ilustra exatamente essa relação, quando, durante um treinamento em um call center do subúrbio, grupos de novos empregados indianos trocaram seus nomes, exercitaram a pronúncia e praticaram o inglês como é falado pelos americanos. Treinaram conversas com clientes americanos imaginários que reclamam nervosos dos aparelhos eletricos quebrados ou de pequenos problemas no computador

O instrutor escreve "35=10" no quadro, como se estivesse presenteando os empregados com um mantra mágico. "O cérebro e o QI de um americano de 35 anos se equipara ao de um indiano de 10 anos", explica, e pede aos atendentes para serem pacientes com os clientes.

O filme parece ter divertido os indianos, muitos se colocaram na pele dos personagens, exatamente por trabalharem em um Call Center e atender clientes do outro lado do mundo.

A indústria de terceirização indiana, segundo o Washington Post, cresce a ponto do universo dos Call Centers terems e tornado matéria prima da cultura pop indiana. No filme isso é bem retratado, estão lá os nomes inventados, os sotaques forçados, as horas de trabalho. Tudo pronto para ser "reinventado" por Bollywood.

Hello é baseado em um romance indiano chamado One Night @ the Call Center (Uma nome no Call Center), que conta a história de seis atendentes de Call Center cujas vidas são arruinadas em uma noite, até que recebem o chamado de Deus, e tudo se resolve. 

"É  uma história indiana singular com relevância global. Trata da nova Índia, sua juventude e aspirações, tudo armado em torno do fenômeno chamado call center", diz Atul Agnihotri, o diretor do filme, ao jornal.

Chetan Bhagat, autor o livro, afirma ter saído com seus "primos de Call Center" e que roubou manuais de treinamento, além de vasculhar nas redondezas das centrais para entender como vivem estes trabalhadores. "Não se trata só de um tipo diferente de trabalho. É uma vida social diferente, é uma subcultura.", afirma Bhagat, que é executivo do setor bancário.  "Quando escrevi o romance, em 2005, a indústria de terceirização era só uma estatística na história de crescimento da Índia. Pela primeira vez, meu romance os humanizou", afirmou o autor ao Washington Post.

No filme e no livro, o protagonista é Shuam Mehr, considerado uma ovelha negra da família por não ser um doutor ou engenheiro como seus primos.

 

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