Site de encontros indiano aproxima trabalhadores de Call Center
Agência tenta superar problemas culturais e encontrar o par ideal para funcionários de Call Centers
Em um país em que determinadas pessoas são consideradas intocáveis, o que a maioria da população acha sobre mulheres que trabalham até altas horas da noite e conversam com estranhos do mundo inteiro para ganhar dinheiro?
Apostando em um nicho de mercado crescente, a Bposhaadi.com – o BPO do nome de vem Business Process Outsourcing, que é como o Call Center é conhecido na Índia, e shaadi significa, em hindi, casamento – surgiu para tentar resolver um problema cada vez mais constante para as atendentes indianas: arrumar um marido. Para o Bposhaadi, apenas homens que também trabalham em um Call Center entendem e aceitam a situação.
"O encontro entre trabalhadores do setor de Call Center faz sentido porque eles conhecem e entendem as pressões do setor", afirma Sanjeev Pahwa, o fundador do website. "Acima de tudo, uma pessoa que trabalha à noite e dorme de dia precisa de um companheiro com horários semelhantes".
Hoje, estima-se que cerca de 10 milhões de jovens indianos procurem casamento pela internet, principalmente por buscarem pessoas que atendam a determinados padrões, como religião e casta social, mas o Bposhaadi é o primeiro a tratar de uma profissão em particular.
Para Pahwa, a criação do site surgiu do preconceito existente com os 1.4 milhões de trabalhadores de Call Center no país. O fundador do Bposhaadi acredita que estas pessoas ficaram marcadas pelo contato com clientes ocidentais e por trabalharem em um ambiente misto. Além disso, por ganharem um salário mais alto que a média indiana, tais funcionários tendem a ter uma postura mais liberal que os demais indianos. "Eles compram as novidades em eletrônicos, comem bem, vão ao cinema às 2 da manhã, é um alto padrão de vida", declara Pahwa. "E que não é compatível com alguém que é cauteloso e procura segurança".
Anita Abraham, atendente de Call Center, vê no site uma salvação para encontrar um parceiro. Ela conta que seus pais tentaram arranjar um casamento, mas assim que os familiares do noivo souberam no que ela trabalha desistiriam da idéia. "O olhar deles dizia 'qualquer moça que sai para trabalhar à noite com um bando de homens tem de ser uma perdida ou imoral'", comenta Anita.
A mídia indiana também contribui para o preconceito, criando a imagem de que os Call Centers são antros da perdição, que encontros furtivos acontecem durante o expediente e que seus funcionários vão para drive-ins durante a madrugada. Até mesmo a igreja católica de Bangalore começou a oferecer aconselhamento espiritual para estes trabalhadores.
Remando contra a corrente, pelo menos uma dúzia de casais se conheceram pelo site e se casaram.

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